A tecnologia barateou e democratizou a produção audiovisual. Também gerou problemas novos. Este é um balanço honesto dos dois lados, visto do trabalho diário de uma produtora.
Vantagens
Custos mais baixos
Um equipamento que há quinze anos custava dezenas de milhares de dólares hoje cabe numa mochila. Isso permitiu que empresas médias e organizações sociais tivessem acesso a vídeo profissional.
Acesso a qualquer lugar
Câmeras leves, drones e baterias de longa duração tornaram possível filmar onde antes uma equipe não entrava: minas, selva, altitude, plantas industriais.
Pós-produção mais rápida
O que antes exigia uma ilha de edição hoje se faz num notebook, e a correção de cor ou a limpeza de áudio deixaram de ser luxo.
Medição
Pela primeira vez se sabe quanta gente viu um vídeo, até que segundo e o que fez depois. Isso permite corrigir na peça seguinte em vez de supor.
Desvantagens
Saturação
Se todos podem publicar, destacar-se custa mais. O diferencial deixou de ser ter câmera e passou a ser ter algo a dizer.
Confusão entre ferramenta e critério
Uma câmera melhor não conserta um roteiro ruim. O erro mais caro que vemos é investir em equipamento e cortar na pré-produção.
Dependência e obsolescência
Formatos que mudam, plataformas que alteram suas regras, software por assinatura. O que se compra hoje fica curto logo, e isso é um custo permanente.
Expectativas irreais de prazo
Como tudo parece instantâneo, supõe-se que editar também seja. A tecnologia acelerou a execução, mas não o tempo que leva pensar uma ideia.
O equilíbrio
A tecnologia resolveu o “como” e deixou à mostra o “o quê”. Hoje qualquer um pode gravar em 4K; muito poucos conseguem decidir o que merece ser gravado.
Por isso, quando alguém pergunta com que câmera trabalhamos, a resposta honesta é que a câmera é a decisão menos importante de todas as que se tomam num projeto.
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